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  Publicado em 10/11/2009 - 12:39:00

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Ai que Vida!
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“Certos filmes são tão ruins que chegam a ser bons”. Ed Wood provou isso. O Pior diretor de todos os tempos produzia e dirigia suas produções com uma incompetência tão grande que chegava a ser agradável aos olhos do público. Curiosamente sua sorte estava exatamente em seu infortúnio - sempre produzindo películas com conteúdos sérios, éramos levados a encará-las como comédia por conta de sua falta de talento e preparo. Como poderíamos levá-lo a sério enquanto ouvimos seus personagens soltar pérolas como: “Saudações, meus amigos. Todos nós temos interesse no futuro, pois lá é onde eu e você iremos passar o resto de nossas vidas. E lembrem-se, meus amigos, que eventos futuros como estes irão afetá-lo no futuro.” cômico, não?



Mas é aí que chegamos a famosa produção piauiense, o que esperar de um filme que se julga como comédia, mas que escancara seus defeitos monstruosos para provocar o riso?

Dirigido e roteirizado por Cícero Filho “Ai Que Vida!” nos apresenta à fictícia cidade de Poço Fundo, no interior do nordeste, que vive um verdadeiro caos em sua administração pública. O prefeito Zé Leitão já governa Poço Fundo há quatro anos, mas nada fez pela cidade em seu mandato. A população não consegue enxergar as coisas ruins que o prefeito faz. A micro-empresária Cleonice da Cruz Piedade se revolta com os absurdos administrativos de seus governantes, e decide acordar o povo sobre a real situação da cidade. Ela luta pelos direitos do povo e consegue arrastar multidões para ouvir seus discursos, tornando-se assim querida por toda a população.

Abordando uma história batida e repleta de clichês, Filho conta com um álibi invencível – não permitir que o filme se leve a sério (pelo menos em grande parte do tempo). Mesmo que seu roteiro escancare a situação constrangedora de nossa política (eufemismo, eu sei), o cineasta jamais pesa a mão em seu roteiro ou direção, nos fazendo rir da situação e de nós mesmo, já que aquelas figuras nada mais são do que nossa imagem estereotipada.

Quando vemos Xica do Pote doando um medicamento para uma idosa para essa tratar de seu neto doente nos revoltamos com o desdenho que a vereadora lança sobre a dupla, mas nossa revolta vem acompanhada de um sorriso involuntário, já que sabemos que essa situação é mais corriqueira do que parece, se tornando assim hilária. E assim como essa cena, nos surpreendemos várias vezes debochando de situações comuns (a exceção fica por conta de um velório carregado demais).

Optando por uma direção discreta, Cícero Filho mostra entender que a maior força do filme está em seus personagens com seus trejeitos e sotaques singulares. Quebrando a quarta parede desde o início da narrativa, o diretor leva o expectador a sentir-se como num teatro, conduzindo sua câmera sempre ao que realmente nos interessa: a expressão e atitudes mais importantes dos personagens.

Infelizmente as qualidades do filme acabam por aí. Contando com atores profissionais e não-profissionais, as atuações de Ai Que Vida são de um despreparo alarmante. E isso é um defeito letal pra uma produção onde a força reside justamente nos personagens. E mesmo que o roteiro consiga criar uma situação engraçada aqui ou ali, essas são imediatamente sabotadas pelas insossas interpretações. E não há como negar que esse impasse nos certifica que Filho é um péssimo diretor de elenco, o que é uma pena levando em conta seu talento na parte técnica (o figurino merece aplausos).

O destaque desse desastroso elenco fica por conta de Rômulo Augusto e Irisceli Queiroz que, protagonizando um romance água-com-açúcar ridículo, não conseguem aproveitar um diálogo sequer, e a dicção monocromática destes leva a dupla ao fundo do poço, mostrando que são ainda piores do que a diretora do Casa de Taipa (que mais parece um banco de dados que uma pessoa), e mesmo que Toinha Catingueiro e Danilo Costa, interpretes de Cleonice e Vanderlei, se saiam bem em suas cenas o restante do elenco suga suas energias de forma constrangedora.

Seja como for, o fato é que “Ai Que Vida!” conseguiu mesmo cativar o público, e mesmo que tenham seus (muitos) defeitos, essa deficiente produção é desde já um marco no cinema piauiense. E se você for um daqueles que acham que o filme é bom demais pra os padrões piauienses, pense de novo – não há preconceito maior do que achar que não somos capazes de produzir algo melhor que isso. Somos capazes sim, e quem sabe esse filme não seja roteirizado e dirigido pelo próprio Cícero Filho, acertando, e se redimindo, da próxima vez. Eu não duvidaria.

Por Paulo Vinícius
 

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6 Comentários

  1. mariana | 24/11/2009 - 11:44hs

    se acha tao bom PAULO VINICIUS, pois faça um, ja que sabe bem como e, e se abre a boca pra criticar deve ser muito melhor ne.....entao mostre sua cara e faça um filme melhor que esse, se e que sabe mesmo fazer um roteiro..... antes de falar, ou criticar, faça melhor, nao somente aponte o dedo.

  2. Sergio Neto | 29/11/2009 - 20:08hs

    Grande colonista, não seja tão tolo ao ponto de falar de um filme que todos que ja assistiram acham otimo, pois mostra a realidade das pequenas cidades e tambem o portugues que não é certo, mas ao mesmo tempo é engraçado. Não seja tão indiota, procure escreve outros testos em sua coluna, afinal esta longe de ser um otimo colunista.

  3. James Araujo | 09/01/2010 - 10:58hs

    Parabéns pela leitura e análise colunista Paulo. É sempre bom ouvir opiniões especializadas pois o filme tem feito um sucesso imenso no estado em detrimento dos muitos defeitos que contêm. Nós piauienses, já tão cansados de \"apanhar\", nos apegamos apaixonadamente por qualquer coisa \"daqui\" que venha a ter um mínimo de visibilidade. Que o diga o mito \"Gyselle Soares\"... Bem, as pessoas que o criticam não entendem o que vc faz, que é comentar cinema com o olhar técnico. Então os que lhe chamam de idiota ou mandam vc fazer um filme melhor ao invés de criticar não sabem (infelizmente) o que estão fazendo. Por fim, congratulo-o mais uma vez pela crítica e sinceramente me sinto feliz ao saber que nossa cidade tem cabeças pensantes na arte. Abraço

  4. Stephany Cristina Rosa da Silva | 23/01/2010 - 00:35hs

    Não vou comentar o artigo e sim dar a minha opinião... Mesmo com as criticas acima,achei o filme muito bom,pois a simplicidade fez-se entender a todos . Com certeza,melhor que grandes filmes brasileiros dirigidos por grandes diretores enviados para concorrerem ao Oscar,que nao chegam nem aos pés do \"ai que vida\",como Central do Brasil,que de bom só tem os artistas de nome e mais nada.

  5. Tâmyris da Rocha Santana | 04/02/2010 - 22:46hs

    Assisti o filme e gostei bastante de ver sendo protagonizadas cenas tão corriqueiras aqui no nosso Brasil (principalmente do interior). Através desse filme dá pra se ter um olhar meio que de fora da situação transmitida e achar graça da \"desgraça\". É um filme muito criativo, a idéia foi bem executada pelo diretor Cícero Filho, e mesmo que o filme possua algum problema em relação a desenvoltura de alguns atores, isso deve ser relevado. Pois foi a primeira produção desse tipo realizada por ele, sendo conseguentemente uma maneira de exercitar a arte de fazer cinema que o diretor com certeza possui talento para fazer. Cícero Filho para ser um iniciante mostra que veio para brilhar no cinema e espero ainda ver muitos filmes de qualidade produzidos por ele. Também queria dizer que estou adorando ver colunas produzidas por jovens como você Paulo Vinícius, é importante ouvirmos opiniões como as suas seja sobre arte ou qualquer outro assunto.

  6. Rubens Leite Ferreira de Figueiredo | 04/05/2010 - 21:31hs

    Depois de o Auto da Compadecida achei que não apareceria outra comédia que faria eu rir de novo, meus parabéns apesar do pouco recurso vcs deram um show nem parece que a maioria são atores amadores. parabénsssssssssssssssssssssssssssss

 

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